Arquivo do dia: 24/06/2013

Mídia Sem Máscara – A culpa da corrupção é do Foro de São Paulo: notas

 

 

“A soma das vozes populares dá potência ao movimento, mas é a liderança que o canaliza e aproveita politicamente. Não adianta nada haver milhões de conservadores gritando nas ruas contra Dirceu, Lula e Dilma, se tudo só servir para dar mais poder à única liderança ativa do momento, que é o Foro de São Paulo. Será, pela milésima vez, a revolução lucrando com a denúncia de seus próprios crimes.”
(Olavo de Carvalho)

“O importante para o Foro de São Paulo não é defender Dilma ou o PT, mas assegurar que o movimento das ruas desembocará num resultado socialista, mesmo que seja preciso sacrificar a presente liderança visível. O entusiasmo patriótico das massas tem força, mas não direção. As águas não vão para onde desejam, mas para onde são canalizadas. A esquerda tem dezenas de anos de prática em canalizar a vontade popular, e os conservadores, patriotas etc. não têm nenhuma, tanto que imaginam que a vontade popular se transfigura, por si e espontaneamente, em decisões políticas e legais, coisa impossível entre quantas já passaram por uma cabeça oca.”
(Olavo de Carvalho)

 

“A massa pode ser conservadora e patriótica o quanto bem entenda, mas a iniciativa está nas mãos do Foro de São Paulo. A esquerda não só iniciou o movimento, mas conserva a dianteira e, aparentemente, não tem concorrentes. Pode surgir uma nova liderança, do nada? Pode, mas não há sinais de que isso vá acontecer. Cada militante esquerdista que sobe na vida, conquista cargos e se torna famoso está SEMPRE decidido a perder tudo isso se for em benefício da causa. Lula, Dilma e Dirceu não são exceções. Oportunistas e carreiristas têm pouquíssima chance no Foro de São Paulo. Onde eles prosperam é nos partidos “de direita”, que não lutam por causa nenhuma mas apenas pela manutenção dos cargos de quem já os tem.”
(Olavo de Carvalho)

“Nenhum de vocês, cidadãos comuns, tem a menor culpa pela inexistência de um movimento conservador decente. Movimentos custam MUITO dinheiro; nenhum tem começo modesto, todos vêm das grandes fortunas. O que não custa dinheiro é a iniciativa intelectual, como por exemplo a minha, mas ela não pode por si criar nem instaurar um movimento. Por isso o conservadorismo existe no Brasil como corrente de pensamento, mas não como movimento político. As igrejas evangélicas começaram um movimento, mas ainda incipiente. E uma massa de fiéis não é ainda uma militância, falta muito para isso.”
(Olavo de Carvalho)

“Se um único general tomasse a dianteira e prendesse os corruptos que a massa revoltada quer ver na cadeia, ganharia instantaneamente o apoio de toda a população, inclusive de grande parte dos agitadores de rua, e teria então autoridade para cavar mais fundo e quebrar a espinha do Foro de São Paulo. Viraria a mesa num estalar de dedos. É nessas horas que os heróis surgem ou desaparecem para sempre. No meu modesto entender, só estão buscando uma desculpa elegante para desaparecer, e aliás nem precisam disso, pois já desapareceram.”
(Olavo de Carvalho)

“Se o Joaquinzão [Joaquim Barbosa, presidente do STF] tivesse duas bolas, em vez de uma e meia (o que no Brasil já é até excesso), ele não hesitaria em impor sua autoridade por meio das Forças Armadas, e se tornaria o maior herói nacional de todos os tempos.”
(Olavo de Carvalho)

“Os fulanos saem à rua exigindo a prisão dos corruptos que o governo protege, e quando sugiro que o STF realize isso mesmo por meio das Forças Armadas, eles respondem que estou pregando um ‘golpe militar’. Será que estou falando com macacos?”
(Olavo de Carvalho)

“Vão me acusar de racista porque eu disse que o Joaquinzão só tem uma bola e meia.”
(Olavo de Carvalho)

“No Brasil é tão normal, tão obrigatório pensar com meras figuras de linguagem e slogans colhidos da mídia, que quando um sujeito simplesmente analisa as coisas cientificamente, chega às conclusões corretas e faz previsões acertadas, logo o chamam de profeta ou querem matá-lo. O que estou fazendo nas minhas análises da conjuntura nacional não é nada mais do que praticar as CIÊNCIAS SOCIAIS, que os profissionais universitários da matéria desconhecem por completo.”
(Olavo de Carvalho)

“Quaisquer que venham a ser os desenvolvimentos da onda de protestos no Brasil, sua primeira vítima está ali, caída no chão para não se levantar nunca mais, e ninguém sequer se deu conta da sua presença imóvel e fria: é a ‘direita’ brasileira. (…)”
(Olavo de Carvalho – Leia o artigo completo.)

“A esquerda pode lucrar com o crescimento da baderna ou, igualmente, com a repressão estatal do movimento. Ela está dos dois lados, controlando o tabuleiro magistralmente.”
(Olavo de Carvalho)

“Não é de hoje que a esquerda se divide para assim monopolizar o espaço do debate e da concorrência. Prestes x Marighela, Brizola x Lula, PT x PSDB, lulistas (‘moderados’) x ‘radicais’ e assim por diante. É uma técnica e uma compulsão ao mesmo tempo. Faz parte da estrutura dos movimentos revolucionários. Cada vez que aparece uma dessas divisões, os idiotas da direita festejam, achando que vai enfraquecer a esquerda.”
(Olavo de Carvalho)

“É como me disse, num cochicho discreto, o ex-ministro romeno das Relações Exteriores, Andrei Pleshu, um tremendo gozador: ‘É preciso restaurar o movimento conservador – com a ressalva que já não há mais nada para conservar.'”
(Olavo de Carvalho)

E para quem pede solução…

“Marcia Regina Ferreira pergunta:

‘Eu gostaria de saber, do Olavo Carvalho, a quem muito prezo e admiro o discurso inteligente, na opinião dele, como deveria ser feito.’

Resposta:

Não tenho fórmula pronta, mas a experiência histórica mostra que a formação dos grandes movimentos políticos obedece a uma sequência mais ou menos imutável. (1) Iniciativas intelectuais isoladas; (2) Organização dos intelectuais numa rede de debates, que podem prosseguir por muito tempo sem nenhuma ação política propriamente dita; (3) Aglutinação de recursos financeiros; (4) Adestramento de militantes; (5) Conquista, criação e ampliação dos meios de ação; (6) Criação de um Estado Maior para discussão estratégica e tática (o Foro de São Paulo é isso); (7) Desencadeamento de ações; (8) Manutenção do controle e revisão permanente das estratégias e táticas à luz dos resultados obtidos. Como você pode ver, nossos iluminados políticos e empresários conservadores não estão sequer à altura de participar do capítulo 1. Agradeço à Márcia a iniciativa de fazer uma pergunta tão oportuna.”
(Olavo de Carvalho)

“Na esfera intelectual, que é decerto bem mais modesta, já dei pessoalmente o exemplo de como se faz. Como diziam os Founding Fathers: oferecer nossa VIDA, nossa HONRA, nossos BENS e nossa LIBERDADE.”
(Olavo de Carvalho)

“Ter razão é a minha profissão.”
(Olavo de Carvalho)

“A existência do Brasil desmente o Princípio de Razão Suficiente.”
(Olavo de Carvalho)

* * * * *

QUEREM PROTESTAR? Protestem contra o inimigo certo!

“Alguma manifestação contra o Foro de São Paulo, a entidade que Lula fundou [em 1990] junto com o ditador genocida Fidel Castro e que, com a participação de grupos terroristas como as Farc e demais partidos comunistas latino-americanos, articulou a bem-sucedida tomada do poder em todo o continente, debilitando a soberania nacional e fomentando o tráfico de drogas no país dos 50 mil homicídios por ano, onde aliás os menores incendeiam os maiores, com a certeza da impunidade?”
(Felipe Moura Brasil – aqui.)

Siiiiiiiim! Agora siiiiiiiiiim!

SAIBA MAIS AQUI.

“Essa manifestação contra o Foro pode ser o teste decisivo. Conforme predomine o apoio ou o boicote, o rumo das coisas se tornará claro e inequívoco.”
(Olavo de Carvalho)

“Para os que têm alguma voz no capítulo, o que importa agora é deixar claro e repetir milhões de vezes que a culpa da corrupção e do descalabro todo é do FORO DE SÃO PAULO, e não de políticos individuais dos quais o próprio Foro pode estar querendo se livrar, seguindo nisso a velha técnica revolucionária de sobreviver limpando-se na sua própria sujeira.”
(Olavo de Carvalho)


Notas publicadas pelo filósofo no Facebook, organizadas por Felipe Moura Brasil.

 

 

Fonte: Mídia Sem Máscara – A culpa da corrupção é do Foro de São Paulo: notas.

Mídia Sem Máscara – The Walking Dead

Tudo que começa com Liberté, Egalité, Fraternité termina em guilhotina.

O que uns e outros não percebem é que a tal ‘massa na rua’ é o ápice da despersonalização, da falta de qualquer traço distintivo e, ipso facto, de vida inteligente. Vida inteligente não é aderir: é precisamente o contrário disso.


É PRECISO MUITA violência para se fazer protesto pacífico, decerto. Nada mais violento do que o pacifismo das multidões. Chego em casa, ligo a tv e estão protestando contra rigorosamente tudo. Contra rigorosamente nada. Dos vinte centavos já ninguém se lembra (saudades dos vinte centavos!). Parecia tudo tão nobre e tão singelo. Agora o negócio virou maio de 68 e todo mundo quer é tocar fogo no circo. Ou, mais precisamente, nos carros, nos caixas eletrônicos, no comércio, nas bandeiras, na inteligência, na dignidade, em qualquer coisa que esteja no caminho do entusiasmo cívico. O id das gentes resolveu sair às ruas. E a multidão é aquilo que se sabe: movimento bruto, força da natureza.

Todos tão emocionados! Encontraram um arremedo de sentido, ao menos provisório, no movimento. Esticar as pernas faz bem, nem lembravam mais disso. Perderam uns quilos. Quase fui às lágrimas quando um amigo escreveu algo sobre o ‘espírito’ do povo. De repente, todos estão orgulhosíssimos de si mesmos: saíram às ruas ‘contra tudo isso que está aí’, contra esse ‘status quo’, contra a ‘corrupção’, contra a ‘fome na África’, contra as ‘flexões do infinitivo’ e as platitudes de costume.

Saíram para se manifestar, ponto. Eles se parabenizam, eles jogam confetes uns nos outros, eles assopram língua-de-sogra. Você, quieto no canto, sabe (você os conhece) que eles nunca pensaram a sério em rigorosamente nenhuma das coisas contra as quais (ou a favor das quais), súbito, resolveram protestar – estado, impostos, capital, economia, regulação, reservas de mercado, etc. Bobagens. Reacionarismos. Nós devemos ‘atear fogo na cara da burguesia’. Joel, meu querido, melhor tomar seus cuidados.

Porque não é preciso cautela, prudência, capitulações: bastam uns coquetéis na cabeça e outros na mão; bastam umas camisetas amarradas na cara e, voilà!, o recém chegado do mundo da falta de idéias agora é um Isaiah Berlin, um Trotsky. Um Hegel improvisado a encarnar o ‘espírito objetivo’. Fosse tão fácil, fosse apenas sair andando por aí a tocar o bumbo, teríamos feito há mais tempo, não é mesmo? Tudo que começa com Liberté, Egalité, Fraternité termina em guilhotina.

E é divertido ver gente dizendo, agora que a baderna saiu mesmo do armário ideológico, que ‘Não importa se o movimento x é manipulado pelo grupo y!, porque o povo está nas ruas, o gigante acordou e eu quero lutar por um mundo melhor!’. De fato, nunca importou. Não é essa a intenção. E nem são os vinte centavos. Falando neles.

Falando nos vinte centavos, ocorre o previsto: Fernando Haddad dizia, solene, que ceder à ‘pressão popular’ seria populismo indesculpável. Fernando Haddad e Geraldo Alckmin anunciam hoje, solenes, que atenderão aos apelos populares, e os vinte centavos, gatilho do patriotismo de ocasião, não serão mais cobrados. Vitória cívica, satisfação, lágrimas. Ótimo para a democracia, não é mesmo?

Péssimo para a democracia. Há certas vitórias que são derrotas. Se algo funciona no sistema democrático representativo é justamente servir de anteparo ao populismo violento, às pressões das maiorias sobre as minorias, das massas sobre os indivíduos. Representantes são eleitos e se encarregam das leis, da fiscalização, da justiça. Devem ser cobrados, avaliados e, se ruins, que não sejam reeleitos. Não apenas a divisão de poderes, mas o fato mesmo de que as decisões são tomadas, em tese, depois de conscienciosas deliberações garante alguma segurança jurídica e o império das leis.

Fernando Haddad capitulou precisamente no momento em que não poderia fazê-lo. Grupos com os mais variados pretextos exigem coisas e as coisas exigidas são quase que imediatamente atendidas. Conclusão: eles sabem que para negociar não é preciso mais do que alguns coquetéis molotov na mão.

Se a democracia representativa não satisfaz, agora as condições de possibilidade para a democracia direta estão dadas. Manifestações sob as mais variadas bandeiras (muito embora a quase que absoluta identidade de cores) tendem a tomar conta do cenário e isso nunca terminou bem. Se não são mais as leis, será a força. Anomia. E a praça pública dará lugar à praça de guerra.  Contemos com a pusilanimidade dos nossos revolucionários.

O que uns e outros não percebem é que a tal ‘massa na rua’ é o ápice da despersonalização, da falta de qualquer traço distintivo e, ipso facto, de vida inteligente. Vida inteligente não é aderir: é precisamente o contrário disso. Jean Jacques Rousseau não era nada tolo. A multidão anseia, desesperada, por um cadáver que legitime a explosão iminente de violência. A volonté générale procura, desesperadamente, seu Robespierre.

 

Publicado no site Ad Hominem.

Fonte: Mídia Sem Máscara – The Walking Dead.